Insights · 14 de agosto de 2026
VTEX Legacy, IO, FastStore e Rise Edition: o guia completo de qual arquitetura usar
Legacy, IO, FastStore, Rise. Quatro nomes que o mercado usa como se fossem quatro versões da mesma coisa, em sequência. Não são. São três tecnologias de storefront e um programa comercial, e confundir isso leva a decisão errada de arquitetura. Aqui está o mapa completo, direto da documentação oficial da VTEX.
Existe uma confusão específica que aparece toda vez que um cliente pergunta "devo migrar de Legacy para IO, ou já vou direto para o FastStore, e o que é esse tal de Rise que a VTEX está vendendo agora". A resposta curta é que essas quatro coisas não formam uma linha do tempo evolutiva. São três tecnologias de storefront diferentes, que a própria VTEX documenta como opções paralelas, mais um programa comercial que roda em cima de uma delas. Este artigo existe para desfazer essa confusão com fonte oficial, não com opinião de agência.
O que está por baixo de tudo: a VTEX Commerce Platform
Antes de falar de Legacy, IO, FastStore ou Rise, vale fixar um ponto: catálogo, precificação, gestão de pedidos (OMS) e checkout são a mesma camada de back-end para todos os casos. O que muda entre Legacy, IO e FastStore é exclusivamente a tecnologia de storefront, a camada que o cliente final vê e interage. Rise, como vamos detalhar, nem é uma tecnologia de storefront própria: é um programa de acesso a essa mesma plataforma, empacotado com uma tecnologia de storefront específica e uma agência certificada dedicada.
VTEX Legacy CMS Portal: a tecnologia original
O Legacy CMS Portal foi a primeira tecnologia de storefront da VTEX: HTML, CSS e JavaScript editados diretamente dentro do próprio VTEX Admin, sem repositório de código externo, sem ambiente de desenvolvimento separado do ambiente de produção (VTEX Developers, Getting started with storefront solutions). Toda alteração de layout acontece direto na seção "Layout" do Admin, editando arquivos de template que já estão no ar.
Isso significa, na prática, o oposto do modelo headless: não existe separação entre conteúdo e apresentação via API, não existe workspace isolado para testar uma mudança antes de publicar, não existe CLI, não existe controle de versão real do código. É uma arquitetura de uma época em que "loja virtual" ainda significava template editado por dentro do painel.
O Legacy vai ser desligado?
Não existe data de fim de vida anunciada. A própria VTEX foi explícita sobre isso: "não há atualmente comunicação da VTEX em nossos canais oficiais sobre a descontinuação de lojas com front-end construído em CMS Legacy, nem qualquer prazo para isso acontecer" (VTEX Community, FAQ oficial sobre o CMS Legacy, resposta de Karina Mota, Field Software Engineer da VTEX). A mesma fonte reforça: "o CMS Legacy continua sendo suportado e é considerado uma tecnologia oficial da VTEX, sem data estimada de descontinuação".
O que de fato mudou, e é onde a confusão de mercado costuma nascer: o Legacy está fechado para lojas novas. A documentação oficial é direta: "não está mais disponível para lojas VTEX recém-criadas" (VTEX Developers, mesma fonte acima). Ninguém abre uma conta VTEX hoje e recebe Legacy. Quem tem Legacy hoje são contas antigas, em geral anteriores a 2020, que nunca migraram.
Vale uma distinção que o próprio mercado confunde: em outubro de 2023 a VTEX descontinuou os conectores de pagamento legados (Legacy Payment Connectors), um componente técnico específico, não o CMS Portal inteiro. E em junho de 2025 a VTEX encerrou o suporte oficial a determinados apps antigos do ecossistema IO, listados como "deprecated apps" (VTEX Developers, release note de junho de 2025), sem patch de segurança nem atualização daqui em diante. Isso é sobre apps específicos do IO, não sobre o CMS Legacy. As duas notícias circularam no mercado como se fossem "a VTEX está matando o Legacy", e nenhuma das duas é isso.
A migração de Legacy para Store Framework é documentada oficialmente pela VTEX, com processo formal de workspace, app de Edition e troca de DNS no go-live (VTEX Developers, guia de migração), mas a própria VTEX trata como opcional: "esta migração é completamente opcional para os lojistas que quiserem realizá-la". Não é um projeto trivial, e é exatamente por isso que tanta conta antiga ainda não migrou: o risco e o custo da obra pesam mais que a urgência, já que não há prazo empurrando ninguém.
VTEX IO e Store Framework: o sucessor por composição
Aqui vale outra correção técnica que o mercado costuma embolar: "VTEX IO" tecnicamente é a plataforma de desenvolvimento em nuvem (o ambiente, o CI/CD, a infraestrutura de deploy), e "Store Framework" é a tecnologia de storefront que roda sobre o VTEX IO. A documentação oficial é explícita: "lembre-se que o VTEX IO não é uma tecnologia de construção de storefront, e sim uma plataforma de desenvolvimento. O Store Framework é a tecnologia para construir storefronts que roda sobre o VTEX IO" (VTEX Help Center, Frontend implementation). No dia a dia do mercado os dois nomes acabam usados como sinônimo, mas a distinção importa para entender a arquitetura de verdade.
A stack confirmada: React, TypeScript, Node.js e GraphQL, com um modelo de composable commerce, a loja é montada combinando "apps" (também chamados de blocks), componentes React pré-construídos pela VTEX e por parceiros, customizáveis conforme a necessidade de cada operação. O CMS é o Site Editor, um editor visual dentro do Admin. O ambiente de desenvolvimento usa workspaces, ambientes isolados que funcionam como versões paralelas da mesma conta, permitindo separar desenvolvimento de produção, com versionamento e rollback, e deploy via VTEX IO CLI (mesma fonte acima).
A diferença que faz o IO ser considerado sucessor do Legacy não é estética, é estrutural: componentes versionados em vez de arquivo editado ao vivo, ambiente isolado de teste em vez de mudança direto em produção, CLI própria em vez de zero controle de versão, e recursos que simplesmente não existem tecnicamente no Legacy. A tabela comparativa oficial da VTEX marca como indisponível no Legacy CMS Portal a B2B Suite completa, a integração de Intelligent Search, o Delivery Promise e a Regionalização (mesma fonte, tabela comparativa).
A própria VTEX reconhece que o IO exige "nível mais alto de expertise da equipe de desenvolvimento" comparado ao CMS legado (VTEX Community, FAQ já citado). Sobre performance, a documentação oficial descreve o Store Framework de forma neutra, um modelo híbrido de SSR (o servidor gera o HTML completo) combinado com comportamento de SPA para elementos que carregam uma vez, como o cabeçalho, sem reivindicar ser a opção mais rápida do portfólio. Esse superlativo a VTEX reserva explicitamente para o FastStore, o que já é, por si, um reconhecimento institucional de que o Store Framework é o meio-termo de performance entre o Legacy e o FastStore.
Vale registrar também o ponto de lock-in: o modelo de workspaces, a CLI própria e os apps proprietários do ecossistema VTEX significam que o código de um Store Framework não é portável para fora do VTEX IO. É uma arquitetura fechada ao ecossistema VTEX, diferente do FastStore, que é declaradamente open-source e mais desacoplado, como vamos ver a seguir.
FastStore: a terceira opção, não a próxima etapa
Este é o ponto onde a maioria dos comparativos do mercado erra. FastStore não é a evolução do IO, não é o passo seguinte de uma sequência Legacy → IO → FastStore. É uma terceira tecnologia de storefront, paralela às outras duas, e a própria documentação confirma que Store Framework e FastStore podem rodar simultaneamente na mesma loja: "você pode ter tanto FastStore quanto Store Framework rodando ao mesmo tempo na sua loja, já que os ambientes são completamente diferentes" (VTEX Developers, mesma tabela comparativa).
Tecnicamente, FastStore é um toolkit open-source baseado em Jamstack (JavaScript, API, Markup), com stack confirmada de TypeScript, React, Next.js, GraphQL e Node.js (VTEX Developers, What is FastStore; repositório público no GitHub). A arquitetura é dividida em cinco pacotes: Core (código-fonte inicial), SDK (gerencia estado de sessão, carrinho, componente e busca, com funções de analytics compatíveis com GA4), UI (design system baseado em Sass), API (conecta o projeto à camada de comércio via GraphQL) e CLI (unifica o código-fonte da VTEX com as customizações do projeto). Para reduzir o impacto de script de terceiro na performance, o FastStore usa Partytown, e todo o foco declarado da arquitetura é pontuação alta em Lighthouse e Core Web Vitals. O deploy roda via FastStore WebOps, com pipeline de GitHub e bots automatizados de qualidade rodando a cada mudança, um modelo de versionamento por branch diferente do sistema de workspaces do IO.
FastStore é code-first: a documentação lista TypeScript, React, Next.js, GraphQL e Node.js como tecnologias que o time precisa dominar para trabalhar nele. Não existe versão sem código para a construção do storefront em si. O que existe é um CMS headless integrado que permite ao time de conteúdo e operação editar, agendar e pré-visualizar página sem tocar em código, mas a estrutura e os componentes do site continuam sendo código React mantido pelo time de desenvolvimento (mesma documentação oficial).
Quanto a quando a VTEX lançou o FastStore, não há uma data oficial e datada facilmente confirmável na documentação atual. O que se sabe com confiança: em março de 2024 a própria VTEX ainda descrevia o FastStore como em closed beta numa resposta oficial na comunidade (VTEX Community, thread "VTEX IO ou FastStore?", Karina Mota, VTEX), e hoje a documentação já lista o FastStore como disponibilidade geral, não mais beta. A janela de lançamento fica, com essa margem, entre 2022 (quando o projeto começou a circular publicamente no repositório) e a saída geral do beta em algum ponto de 2024.
A orientação oficial de quando escolher cada tecnologia é direta: "Store Framework é uma opção mais madura, que oferece estrutura flexível adequada para casos de uso complexos e suporte para lojas operando internacionalmente (...) para lojas B2B, Store Framework é uma boa escolha, já que oferece a B2B Suite (...) FastStore é uma alternativa em evolução focada em performance de loja (...) para casos de uso mais simples com foco em performance, FastStore pode ser a tecnologia recomendada" (VTEX Help Center, Frontend implementation). Vale o dado técnico que pouca gente do mercado sabe: B2B no FastStore está listado oficialmente como "Closed Beta", não como recurso maduro, enquanto o Store Framework já tem a B2B Suite completa disponível.
Não existe, nas fontes oficiais consultadas para este artigo, um benchmark numérico público comparando Core Web Vitals do FastStore contra o Store Framework. A VTEX afirma, de forma qualitativa, que o FastStore entrega "a máxima performance possível" via Jamstack, CDN, pré-renderização e mitigação de script de terceiro, mas sem publicar um percentual de ganho. Qualquer número de performance que circule por aí sem essa fonte primária deveria ser tratado com desconfiança.
VTEX Rise Edition: não é uma quinta arquitetura, é um programa comercial
Chegamos ao ponto que mais gera confusão hoje, porque é o mais novo. VTEX Rise Edition existe, é real e é da própria VTEX (confirmado nas páginas oficiais vtex.com/pt-br/rise e vtex.com/pt-br/rise-order-form), mas não é uma nova tecnologia de storefront. É um programa comercial de acesso à mesma VTEX Commerce Platform enterprise, empacotado com implementação em FastStore e uma agência certificada dedicada.
A própria VTEX responde a essa confusão diretamente no FAQ oficial do produto: "Qual a diferença entre o VTEX Rise e a plataforma VTEX tradicional? O VTEX Rise não é uma plataforma diferente: é um programa de acesso à mesma plataforma enterprise da VTEX, com um modelo de entrada, acompanhamento por agência certificada dedicada e condições comerciais desenhados para marcas em crescimento" (VTEX, FAQ da página oficial do Rise).
Em outras palavras: o back-end é a mesma VTEX Commerce Platform usada pelos grandes varejistas globais. O que o Rise empacota comercialmente é: acesso a essa plataforma num modelo de entrada, implementação de front-end obrigatória em FastStore (não em Store Framework, não em Legacy), acompanhamento de uma agência certificada VTEX Rise do diagnóstico ao go-live, e condições comerciais desenhadas para o estágio de crescimento da marca, não para operação enterprise plena.
Isso equivale, em espírito, ao paralelo que a Nuvemshop construiu com o Nuvem Next: uma camada de acesso à tecnologia enterprise pensada para quem ainda não é o gigante que originalmente justificava esse nível de plataforma. A diferença central é o modelo de entrega: o Rise exige agência certificada obrigatória como parte do programa, não é self-service.
Sobre para quem é direcionado, o FAQ oficial é específico: majoritariamente marcas B2C em fase de crescimento. B2B é atendido só se o cliente já tiver operação B2C também, não existe entrada Rise puramente B2B ("o VTEX Rise atende operações B2B desde que o cliente também tenha uma operação B2C", mesma fonte).
Sobre preço, não há tabela pública. O próprio FAQ trata como variável, decidido caso a caso: "o investimento depende das características da operação, do escopo de implementação e das condições aplicáveis ao programa". Qualquer número que apareça em blog de terceiro sobre o custo do Rise deve ser tratado como estimativa não-oficial, não como fato. O prazo de implementação declarado, tanto na página oficial quanto replicado por agência certificada, é de loja no ar em semanas, não meses, variando conforme a complexidade do projeto.
Rise e o VTEX Vision 2026 não são a mesma conversa
Vale desfazer outra confusão possível. Já cobrimos em detalhe o VTEX Vision 2026, o anúncio de IA agêntica unificando Commerce, CX e Ads, feito no VTEX Day de abril de 2026. FastStore e Rise não aparecem no press release oficial desse anúncio, nem na página-hub do Vision (VTEX, comunicado oficial; vtex.com/en-us/vtex-vision). São duas iniciativas paralelas, não sobrepostas no discurso oficial da própria VTEX: o Vision é uma camada de inteligência artificial que atravessa toda a base de clientes, horizontal por natureza; o Rise é um programa comercial de entrada, focado em tecnologia de storefront e modelo de acesso. Não existe declaração oficial reposicionando o Rise dentro da arquitetura de IA do Vision, e vale não inventar essa conexão só porque os dois são recentes.
O mapa de decisão
Juntando tudo:
Legacy CMS Portal: só existe hoje em contas antigas que nunca migraram. Sem prazo de desligamento anunciado, mas fechado para contas novas e sem investimento de produto novo. Se sua loja ainda roda nele, a decisão não é "quando vamos ser forçados a sair", é "quando o custo de ficar para trás supera o custo da migração".
Store Framework (VTEX IO): a opção madura para operação complexa, especialmente B2B, multi-país e catálogo que exige a B2B Suite completa. Exige mais expertise de time que o Legacy, mas ganha ambiente de desenvolvimento real, versionamento, workspaces e todo o ecossistema de apps VTEX.
FastStore: a opção quando performance de front-end e simplicidade de manutenção pesam mais que profundidade de recurso B2B. Code-first, stack React e Next.js, deploy via GitHub. B2B ainda em beta fechado, então não é a escolha certa para quem depende disso hoje.
Rise Edition: não é uma escolha de arquitetura, é uma escolha de modelo de entrada. Se sua marca está no estágio de crescimento, quer acesso à plataforma enterprise da VTEX sem montar a estrutura inteira sozinha, e aceita que o front-end vai ser implementado em FastStore por uma agência certificada, o Rise resolve o "como entrar", não o "qual tecnologia usar", porque essa parte já vem definida.
O que fazer com isso
Se sua operação está decidindo entre migrar de Legacy, escolher entre Store Framework e FastStore para um projeto novo, ou avaliando se o Rise Edition é o caminho de entrada certo para o seu estágio, a resposta certa depende de que recurso a sua operação já usa hoje e qual não pode faltar amanhã, principalmente B2B. Isso não se decide por marketing de plataforma, se decide olhando o catálogo, o volume e a complexidade de integração da sua operação específica.
A Uncode implementa e opera VTEX desde 2019, incluindo Legacy, Store Framework e FastStore, e acompanha de perto o programa Rise. Se você está nessa decisão de arquitetura agora, a conversa é de 30 minutos, sem pitch.
Fontes
VTEX Developers, Getting started with storefront solutions; VTEX Community, FAQ sobre descontinuação do CMS Legacy; VTEX Developers, fim de suporte a apps legados do IO; VTEX Developers, guia de migração de Legacy para Store Framework; VTEX Help Center, Frontend implementation; VTEX Developers, What is FastStore; FastStore no GitHub; VTEX Community, VTEX IO ou FastStore?; VTEX, página oficial do Rise; VTEX, formulário de contrato Rise Edition; VTEX, comunicado oficial VTEX Vision 2026; VTEX, hub do VTEX Vision.
Gostou do que leu?
Conversamos sobre como isso se aplica à sua operação.
Mais de Insights
Migrar de Shopify para VTEX: quando faz sentido
A maioria do conteúdo sobre essas duas plataformas trata do caminho oposto, VTEX migrando para Shopify. Este é sobre o sentido raro: quando uma operação que já está em Shopify, às vezes já no Plus, decide que chegou a hora de VTEX.
Ler agora →Tray, Nuvemshop ou Loja Integrada: qual plataforma de entrada escolher
Antes de cogitar VTEX, todo lojista brasileiro passa por essa decisão. As três resolvem o básico. A diferença está em quem constrói o pagamento por dentro, e em quem já provou que aguenta escalar.
Ler agora →Shopify ou Nuvemshop: comparação para quem fatura até R$150 mil por mês
Nessa faixa de faturamento o preço da plataforma pesa de verdade no resultado do mês. Aqui está o custo real das duas no Brasil, sem contar em dólar bonito e esconder a taxa que aparece só na fatura.
Ler agora →


